18 de AGOSTO de 2026
Em um momento vibrante da cena teatral contemporânea, Dinah Feldman se destaca com dois projetos que refletem sua trajetória multifacetada como atriz, criadora e narradora. Com o espetáculo ‘Mazal Tov - Quando a Vida Sorri’, baseado no livro ‘Mazal Tov – Minha Surpreendente Amizade com uma Família de Judeus Ortodoxos’ da autora belga J. S. Margot, que faz temporada de 4 de agosto a 30 de setembro, no Teatro Moise Safra, Barra Funda (SP), ela dá vida à Margot, uma mulher que atravessa fronteiras culturais e busca compreender as complexidades da vida.
O convite para protagonizar a adaptação teatral do livro que a encantou foi recebido por Dinah com alegria. "O que mais me atraiu foi a personagem: uma mulher curiosa que, ao revisar sua trajetória pela escrita, busca entender suas escolhas e a razão dos encontros que moldaram sua vida", explica. Margot, segundo Dinah, é como "um novelo de fios entrelaçados, cheio de camadas. Ela revisita a própria trajetória pela escrita, tentando compreender escolhas, afetos e os encontros que transformaram sua vida. O que mais me encanta nela é essa curiosidade permanente pelo outro.”
A personagem é uma mulher que tem a curiosidade como uma das suas características mais marcantes e isso a aproxima ainda mais da sua intérprete.
“Mesmo eu sendo judia e ela não, compartilhamos esse desejo de compreender diferentes culturas e pessoas. Ela é escritora; eu me formei em jornalismo, uma profissão que também nasce da observação e da investigação. Minha família tem origens na Rússia, Romênia e Egito, e cresci cercada por diferentes referências culturais. Acho que isso despertou em mim, desde cedo, a vontade de conhecer o mundo e suas histórias. Também me identifico com essa mulher que entende que pode construir o próprio caminho, guiada pela curiosidade e pela liberdade de escolha”, explica.
“Mazal Tov” é uma peça que celebra os encontros que moldam a identidade individual e coletiva. Dinah reconhece que essa obra também ressoa com sua história de vida, ligada à cultura judaica que permeia suas experiências, muito mais como expressão cultural do que religiosa.
“A arte sempre foi minha forma de compreender e me comunicar com o mundo. Foi na escola judaica que descobri o teatro, a poesia, a música e a dança. Olhando para trás, percebo que esse universo apareceu em diferentes momentos da minha trajetória artística, mas nunca como um ponto de partida. Sempre comecei pelas personagens e pelas histórias que me emocionavam”, complementa ela sobre a ligação entre sua história e o espetáculo dirigido por Dan Rosseto.
Outro trabalho que tem um papel crucial na carreira de Dinah é “O Vazio na Mala”, uma produção autoral inspirada no testemunho do primo da atriz e uma mala de guerra, hoje preservada no Museu Judaico, em uma produção que mistura memória e ficção ao investigar os silêncios e traumas transmitidos entre gerações. A obra surgiu de uma inquietação sobre como contar histórias reais de forma inovadora. Ao descobrir a narrativa ligada a uma mala doada ao Museu Judaico de São Paulo, ela se deparou com a conexão entre três gerações e diversos continentes, questionando temas como memória e pertencimento.
“O projeto começou com um "sim". Depois, o acaso colaborou: trabalhei no Museu Judaico justamente no ano da inauguração e convivi diariamente com aquela mala exposta. Isso aprofundou ainda mais a pesquisa e o processo criativo. Hoje olho para trás e percebo que foi um espetáculo que transformou minha trajetória, tanto como criadora quanto como atriz.”
Com um projeto em andamento para levar “O Vazio na Mala” a palcos internacionais, a atriz demonstra a capacidade de captar a essência das histórias que tocam o público, aproximando culturas e experiências diversas.
“Em 2025 participei de uma conferência na China para compartilhar o processo de criação da peça e refletir sobre teatro, memória e preservação de histórias. Foi muito significativo perceber como uma narrativa tão brasileira dialogava com pessoas de culturas completamente diferentes”, diz sobre o sucesso do projeto. “Estamos trabalhando para levar o espetáculo à circulação internacional. São etapas em construção, mas acredito que as histórias capazes de atravessar fronteiras são justamente aquelas que falam da experiência humana”, revela sobre o momento do espetáculo em palcos internacionais.
Porém, “O Vazio da Mala” ainda tem um longo caminho a percorrer no Brasil, a ideia da artista é fazer uma circulação nacional e apresentá-lo nas principais capitais brasileiras, além de realizar novas temporadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Com mais de 20 anos de carreira, além de suas atuações teatrais, Dinah também tem uma ligação com a narrativa oral, que a conecta com suas raízes e reforça sua habilidade de contar histórias de maneira íntima e envolvente.
“Quando comecei a contar histórias, já trabalhava como atriz e imaginava que fosse mais uma linguagem do teatro. Com o tempo, descobri um universo muito mais amplo. Durante uma década atuei ao lado de Fernanda Viacava, experiência fundamental para a construção da minha voz como narradora”, explica. Ela complementa: “Participação em festivais na África, Colômbia e em Israel ampliaram profundamente minha pesquisa. Curiosamente, foi viajando que compreendi que essa relação com a oralidade sempre esteve presente na minha formação. A cultura judaica é uma cultura de narrativas, transmitidas de geração em geração, e percebi que, de certa forma, dei a volta ao mundo para reencontrar minhas próprias origens.”
Entre os momentos que marcaram sua carreira com a arte da narrativa oral, ela destaca quando contou história dentro de um rio, na África, para uma plateia que não falava português, sua participação no ‘Festival de Buga’, na Colômbia, onde percebeu a força da narração oral tanto em espaços comunitários quanto nos grandes teatros, mas foi em uma biblioteca na periferia de São Paulo que teve um momento transformador.
“Foi para um grupo de jovens em processo de recuperação. Eles chegaram desconfiados e, aos poucos, foram permitindo que as histórias revelassem fragilidades, memórias e afetos. É nesses encontros que a arte mostra sua potência.”
À frente de projetos em desenvolvimento e com o desejo de expandir seu trabalho para o audiovisual, Dinah permanece fiel a sua essência com foco na curiosidade e descoberta. Ela busca personagens femininas complexas que desafiem sua interpretação e proporcionem um olhar novo sobre a condição humana. A atriz acredita que cada trabalho é uma oportunidade para transformar tanto a si mesma quanto aquele que assiste.
“Nesses anos de carreira algumas histórias me acompanham há décadas, como a lenda da Papisa Joana e a trajetória das Polacas, mulheres que viveram situações de enorme vulnerabilidade e resistência”, menciona sobre a carreira e personagens femininas fortes. E completa: “Ao mesmo tempo, gostaria muito de mergulhar em grandes clássicos. Shakespeare, Tchekhov e as tragédias gregas continuam despertando minha curiosidade. O mais bonito da profissão é saber que ainda existem muitos encontros artísticos pela frente.”
Acompanhe Dinah Feldman em seu Instagram oficial https://www.instagram.com/dinah_feldman/
Foto: Mare Martin
BORALÁ!
Mazal Tov - Quando a Vida Sorri
Local: Teatro Moíse Safra – Rua Prof. Walter Lerner, 315, – Barra Funda. 420 lugares l Quando: 04/08 até 30/09 (Terça, quarta e quinta 20h). *Sessão única sábado 19/09 às 20h. l Informações: 11 96892 4562 l Ingressos: R$ 110,00 (plateia - inteira), R$ 55,00 (plateia - meia), R$50,00 (plateia - inteira) e R$25,00 (plateia - meia) l Duração: 95 min l Classificação: 12 anos
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