17 de MARÇO de 2026
Com mais de 10 anos de carreira nos palcos e no audiovisual, Gabriella Di Grecco constrói a própria trajetória na contramão do óbvio. Longe de personagens previsíveis ou da repetição confortável de arquétipos já testados, ela tem apostado em escolhas que revelam mais do que versatilidade: mostram uma artista interessada em profundidade.
A atriz pertence a uma geração que entende que carreira não se mede apenas por visibilidade, mas por consistência e comprometimento artístico. No caso dela, isso se traduz em personagens que exigem intensidade emocional, escuta e vulnerabilidade, como pôde ser visto no musical “Cinza’, de Jay Vaquer, interpretando a personagem C “Bia”, série argentina da Disney que repercutiu em toda América Latina e na qual viveu Ana/Helena Urquiza, e em “O Coro: Sucesso, Aqui Vou Eu”, produção da plataforma de streaming do mesmo grupo, onde interpretou a antagonista Nora Labbra.
Sobre o processo de escolha, Gabriella reflete: “É curioso porque acho que existe a junção de algumas coisas nessa equação. Existe a oportunidade que chega, através dos testes de elenco, existe a minha escolha buscar sempre sair do óbvio e também existe, talvez, uma fluidez da minha parte com esse tipo de entrega. Acho que tudo começou em Cinza, quando, nesse musical eu fazia uma personagem que sofria de esquizofrenia. A mente humana sempre me interessou muito. Estudo comportamento humano e psicanálise desde então. Isso, de uma maneira importante, me ajudou muito no processo criativo e na construção de personagens que demandam essa profundidade psicológica, como a Ana/Helena Urquiza, que sofria de transtorno de stress pós traumático e a Nora, que era uma predadora social com vários traços importantes do transtorno de personalidade narcisista. Compreender e estudar a psique humana, com psicologia e psicanalise pode ser uma ferramenta bem interessante e extremamente útil para a construção do personagem. Evidentemente, não se pode esquecer do método de estudo do ator, pois é isso que dá vida a essa construção.”
Seus papéis também dialogam com uma mudança no audiovisual brasileiro: protagonistas femininas mais complexas, menos idealizadas e mais humanas. Gabriella transita com naturalidade por esse território onde a fragilidade e a força coexistem. A atriz também destaca a importância de narrativas que se afastam da perfeição irreal: “Hoje, vivemos num mundo no qual se celebra mais e mais a diversidade e a autenticidade. Isso pode se manifestar de diversas formas. No caso de personagens femininas, vemos isso acontecendo com o que antes chamávamos de “heroínas” e ‘vilãs’. No fim do dia, todos somos humanos, cometemos erros, acertamos, às vezes estamos no caminho do meio... Hoje em dia, vejo que a tendência em todos os lugares – nas novelas, no teatro, nas séries, nas redes sociais – as pessoas não buscam mais idealização e sim identificação. O que é bem interessante, pois, no trabalho de nós, atores, esse é um dos nossos pilares. Não julgamos o personagem que estamos encarnando, pelo contrário, nos aproximamos dele, trazendo pontos de identificação, justamente para criar uma conexão tão profunda que podemos fazer com verdade em cena. Isso não impede o discernimento moral da nossa parte quando a direção diz ‘corta’ e, hoje, percebo que as pessoas também sentem e vivem esse tipo de discernimento.”
No teatro, mais recentemente, essa mesma força feminina também tem marcado presença. Em “Elvis: A Musical Revolution”, viveu Dixie Locke e Priscilla Presley, personagens que atravessam momentos decisivos ao lado do cantor. Já em “Uma Babá Quase Perfeita”, interpretou uma jovem que se torna a base emocional da família durante a separação dos pais.
A artista finaliza: “Especialmente em Uma Babá Quase Perfeita, a direção do Tadeu Aguiar nos permitiu trazer um olhar contemporâneo para uma história que se passava nos anos 80. Nesse sentido, pude trazer para a minha personagem Lydia, uma adolescente vivendo a separação dos pais, diante de uma mãe sobrecarregada e um pai que - apesar de ser muito divertido e amar os filhos incondicionalmente – fugia das suas responsabilidades. Lydia tem 15 anos na história, se pensarmos em uma adolescente de 15 anos na geração de hoje, conectada, ela tem muito mais informação do que uma adolescente nos anos 80. Nesse sentido, trouxe um tom de uma garota mais letrada em pautas feministas, por exemplo. O que é bem comum nas jovens de hoje em dia. Na peça, isso significa que ela tem maturidade e consciência sobre a sobrecarga da mãe e a falta de comparecimento do pai e o seu excesso de responsabilidade ao ter que cuidar dos irmãos no meio do divórcio. E, também, claro trazendo o que toda garota de 15 anos tem em todas as gerações: hormônios, irritabilidade, revolta, energia e todos os elementos que compõem uma adolescente. Foi bastante divertido fazer esse musical. Especialmente ao lado do Eduardo Sterblitch e da Thaís Piza – que no caso faziam meu pai e minha mãe – que abraçaram a composição dessa personagem junto com o Tadeu.”
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