32 Anos Luiz Alberto

Do Marajó a Milão: a moda brasileira que conecta Amazônia, Paraisópolis e empreendedorismo social

Em uma iniciativa que aproxima saberes tradicionais da moda contemporânea, o Instituto Costurando Sonhos Brasil apresenta nova coleção de calçados durante a Semana de Moda de Milão

25 de SETEMBRO de 2026

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A Semana de Moda de Milão ganhou, nesta quarta-feira (23), um capítulo brasileiro que conecta duas pontas do país: a tradição dos artesãos da Ilha do Marajó, no Pará, e o trabalho desenvolvido por mulheres de Paraisópolis, em São Paulo.

No centro dessa conexão está uma nova coleção de calçados apresentada no Consulado-Geral do Brasil em Milão pelo Instituto Costurando Sonhos, em parceria com a marca de calçados DOTZ, o G10 Favelas e o Instituto Tucunaré. O projeto leva para o circuito internacional da moda peças que incorporam referências dos tradicionais grafismos marajoaras.

A participação em Milão também marca um novo momento para o Costurando Sonhos, iniciativa criada em 2017 por Maria Nilde Santos e Suéli Feio como um curso de capacitação em corte e costura voltado a mulheres em situação de extrema vulnerabilidade social. Ao longo de sua trajetória, o projeto já capacitou 4.200 mulheres por meio da moda e do upcycle, utilizando tecidos e uniformes descartados pela indústria.

A proposta é fazer da formação profissional uma ferramenta de geração de renda e independência financeira. A iniciativa, que nasceu em Paraisópolis, também chegou a comunidades de outras regiões do país.

UM ENCONTRO ENTRE TRADIÇÃO E DESIGN

A coleção apresentada em Milão parte de referências dos tradicionais grafismos da cerâmica marajoara, padrões geométricos associados ao patrimônio cultural dos povos indígenas que habitaram a região do Marajó. Esses elementos são reinterpretados para o design contemporâneo dos calçados, aproximando os saberes tradicionais da Amazônia da produção ligada à moda.

O projeto reúne o trabalho de artesãos da Ilha do Marajó e a experiência do Costurando Sonhos, estabelecendo uma ponte entre diferentes territórios e formas de produção.

Para Gilson Rodrigues, fundador do G10 Favelas e da Academia da Prosperidade e da Vida, a presença dessa produção em um dos principais ambientes internacionais da moda representa também a possibilidade de ampliar o alcance de talentos que surgem em diferentes territórios brasileiros. “O talento produzido na Amazônia e nas periferias brasileiras pode ocupar espaços internacionais”, afirmou Gilson.

A iniciativa reúne G10 Favelas, Instituto Costurando Sonhos, Instituto Tucunaré e DOTZ, que participa da produção dos calçados, em uma articulação que também conta com o apoio de LATAM e Bradesco para a realização da missão internacional.

DE PARAISÓPOLIS PARA O MUNDO

A chegada a Milão não é a primeira experiência internacional do Costurando Sonhos. Em 2022, Maria Nilde Santos e Suéli Feio participaram do lançamento de uma coleção de calçados em parceria com a grife italiana de acessórios Gianni Chiarini. Na ocasião, profissionais ligadas ao projeto produziram os pingentes que decoravam as bolsas e as sacolas de tecido que acompanhavam os produtos vendidos.

Agora, a nova coleção amplia essa trajetória ao colocar referências da cultura marajoara no contexto da Semana de Moda de Milão.

A missão internacional também envolve encontros institucionais, rodadas de negócios, eventos culturais e reuniões com representantes da indústria da moda e da economia criativa italiana.

A presença brasileira em Milão vai além da apresentação de uma coleção. O projeto reúne em torno da moda diferentes dimensões de uma mesma cadeia: conhecimento tradicional, formação profissional, produção artesanal, design e geração de oportunidades.

Para Gilson Rodrigues, que acompanha a comitiva na Itália, essa conexão representa a possibilidade de fazer com que produções originadas em territórios historicamente afastados dos grandes centros da moda também encontrem espaço no cenário internacional.

Em Milão, uma história que passa por Paraisópolis encontra os saberes e as referências culturais do Marajó e passa a dialogar com o cenário internacional da moda. Uma trajetória construída a partir de diferentes territórios brasileiros e que chega à Itália levando identidade, trabalho e impacto social para além de suas fronteiras.

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