14 de NOVEMBRO de 2025
A noite de 6 de novembro marcou um dos encontros culturais mais expressivos do ano em Vitória. A abertura da exposição “Dionísio del Santo: o construtivo ontem e hoje” reuniu artistas, colecionadores, críticos, gestores, pesquisadores e admiradores da obra do capixaba que se tornou referência nacional da arte moderna brasileira. O evento, que lotou a Galeria Matias Brotas, inaugurou oficialmente o Circuito do Centenário Dionísio Del Santo, um programa abrangente que seguirá ao longo dos próximos meses em diferentes instituições do país.
Desde os primeiros minutos, a atmosfera era de celebração e reconhecimento. Em meio às obras de Hélio Oiticica, Lygia Pape, Luiz Sacilotto, Paulo Vivacqua, José Bechara, Rosana Paste, Sandro Novaes e tantos outros nomes fundamentais, a presença vibrante do público reforçou a força da obra de Dionísio na formação estética e simbólica do Espírito Santo. Ao circular entre as salas, era possível perceber como o diálogo intergeracional proposto pelo curador Felipe Scovino se materializou: as cores, linhas e planos do artista capixaba encontravam ressonância nas linguagens contemporâneas dos artistas convidados, criando um território comum de rigor, invenção e liberdade formal.
Um dos momentos mais comentados da noite foi o happening de serigrafia ao vivo realizado por Eric Medeiros Scarpel, que aproximou o público dos processos que marcaram a trajetória de Dionísio. Entre tintas, telas e papel, formou-se uma plateia atenta que parecia revisitar, de maneira viva, o espírito investigativo que acompanhou o artista ao longo de sua carreira.
Os discursos da sócia fundadora da galeria, Lara Brotas, do diretor do MAES, Nicolas Soares, do secretário de Estado da Cultura, Fabrício Noronha, e do curador Felipe Scovino reforçaram a dimensão histórica da ocasião. Além de celebrar os 100 anos de nascimento de Dionísio, a noite marcou também os 20 anos da Matias Brotas, que ao longo de duas décadas consolidou sua atuação como uma das vozes mais relevantes para a difusão da arte contemporânea no Espírito Santo.
As imagens da abertura - a movimentação do público, os encontros afetuosos, os detalhes das obras, a energia da performance de serigrafia - registram uma noite que extrapolou a ideia de vernissage e se transformou em rito cultural. Um rito que reconhece em Dionísio não apenas um mestre da forma, mas um artista que soube transformar precisão em poesia, silêncio em ritmo e cálculo em emoção visual.
O Circuito do Centenário segue agora com programação no MAES e novas ações na própria galeria, ampliando o alcance de uma homenagem que já nasce como marco incontornável na memória cultural capixaba. Se o gesto construtivo de Dionísio sempre esteve associado ao intervalo, ao espaço de respiração e à invenção das possibilidades, a abertura da exposição mostrou que sua obra permanece exatamente ali - no centro da vida artística, convocando novos olhares e renovadas presenças.
Com a colaboração de Giuliano de Miranda
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